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Resenha de “Woodstock 99: Peace, Love and Rage”: documentário da HBO leva a feiura deste festival até o presente

O plano, que ocorreu 30 anos após o Woodstock original, de planejar outra extravagância musical em uma base militar abandonada em Roma, Nova York, parecia uma boa ideia na época. Mas, como evidenciado pelas entrevistas, o show de três dias chegou a um ponto particular onde a raiva estava crescendo nos jovens (principalmente) homens brancos que compareciam, expressa através das bandas que se apresentavam, despejando feio e agressividade. maneiras.

Coincidindo com o 22º aniversário do festival, o documentário do diretor Garret Price leva o espectador de volta a uma época não tão antiga em que se separar do grupo significava potencialmente perdê-los antes que os telefones celulares se tornassem onipresentes.

A tensão em ebulição pode ser vista no início da hostilidade ao patrocínio da MTV, cuja mudança para grupos e atividades voltados para jovens irritou aqueles que sentiam que estavam perdendo o canal porque passaram a ver pessoas como Metallica, Megadeth e Limp Bizkit.

A política sexual também é preocupante, com os participantes adotando o ethos “Girls Gone Wild”. Muitas mulheres ficaram sem camisa enquanto os rapazes as incitavam gritando com a atriz Rosie Perez para se despir (não com essas palavras) enquanto ela saía para apresentar o nu.

Embora várias agressões sexuais tenham sido relatadas, o vídeo destaca o que alguns participantes sugerem que a violência e a agressão contra as mulheres não foram capturadas nessas estatísticas.

Apenas três atos femininos (Jewel, Sheryl Crow e Alanis Morrissette) foram agendados, o que é um erro óbvio. Moby, também entre os performers, lembra que depois de algumas horas a situação estava “fora dos trilhos” e a multidão estava ficando mais quente, suada e instável.

Price é muito bom em contextualizar as forças culturais que pairavam em torno daquela época, desde o que o colunista do New York Times Wesley Morris chama de “o legado do escândalo Clinton-Lewinsky” até a escola de Columbine atirando no filme Fight Club. Cujo herói refletia o tóxico masculinidade em exibição.

O encanamento quebrou e o incêndio começou, e vários empreiteiros pareciam estar jogando o equivalente verbal da gasolina contra eles. Davey Holmes, da MTV, destaca Fred Durst, do Limp Bizkit, por sua imprudência em agitar a multidão, comentando: “Até mesmo um anúncio de álcool diz: ‘Por favor, beba com responsabilidade.’

O aspecto mais chocante de Woodstock 99 é a extensão em que as imagens apresentadas aqui ecoam a significação das próximas atrações, revelando um ressentimento que ecoou nas últimas duas décadas em várias frentes. A jornalista Maureen Callahan cita “o cordão umbilical entre o ponto fraco, escuro, sexual, cultural e político do país naquela época e onde estamos agora.”

Como observa o documentário, os problemas com Woodstock foram corrigidos em reuniões subsequentes, e o Coachella Music Festival começou com sucesso logo depois. No entanto, “Woodstock 99” argumenta que o esgoto daquele fim de semana não parou de fluir quando a música parou, figurativamente, se não literalmente.

Woodstock 99: Peace, Love and Rage vai estrear em 23 de julho às 21:00 EST na HBO, que, como a CNN, é uma divisão da WarnerMedia.

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